segunda-feira, 22 de maio de 2017

Quantas reencarnações eu tive?

Esta é uma pergunta que surge naturalmente a todo espírita.
A curiosidade é geral. Temos interesse em saber quantas vidas tivemos, em que regiões, que línguas falamos, profissões que tivemos, habilidades, competências, nossos gostos e preferências, nossas amizades e amores, coisas boas vividas, felicidades.
Entretanto, existe também o outro lado. Quanto sofremos, o que demo-ramos ou até não conseguimos aprender, as pessoas que magoamos, as tristezas que tivemos, os acessos de ódio e loucura, o que fizemos de errado, o que deixamos de fazer, as experiências que nos marcaram e ainda hoje influenciam nosso modo de ser.
A vida é um processo dentro do determinismo divino de evoluir e conquistar gradativamente novos níveis de entendimento, capacidade e felicidade.
A reencarnação é um instrumento dessa evolução que ocorre em todos os aspectos e direções, sintetizadas pelas expressões intelectuais e emocionais.
Nossa origem é a dimensão espiritual. O Espírito aprende e evolui em qualquer lugar que esteja. As encarnações são como uma escola que passamos algum tempo para aprender algumas lições, mas não todas, pois temos muita coisa a aprender e precisamos de escolas diferentes.
Para a maioria dos Espíritos que já se decidiram a serem bons, melhorarem e se tornarem cada vez mais úteis, a chamada erraticidade, o mundo espiritual, é onde aprendemos bastante, principalmente nos aspectos intelectuais. Temos mais oportunidades de receber orientação de Espíritos mais adiantados, de frequentar escolas e, principalmente, de utilizar mais intensa-mente os nossos recursos de inteligência sem a intermediação de cérebro, nervos e percepções acanhadas amortecidas pela matéria.
Na linha de evolução podemos supor que, inicialmente, os Espíritos tendem a precisar mais da encarnação, para no final, ou mais adiante dessa linha, não ter tanta necessidade.
Existem Espíritos desequilibrados que permanecem sem encarnar por séculos, assim como ficam muitos Espíritos superiores.
Segundo a ciência, os humanos anatomicamente modernos (Homo sapiens) surgiram na África há cerca de 200 mil anos, adquirindo há cerca de 50 mil o comportamento próximo ao homem de hoje. Com cérebros menores e comportamentos mais primitivos, como a Ramapithecus, a sua origem remonta a 13 milhões de anos.
Estima-se que as civilizações mais antigas surgiram há oito mil anos. Nesse estudo vamos presumir que o Espírito tenha tido oportunidade de encarnar em ambiente mais civili-zado desde dez mil anos. Isso re-presenta 100 séculos.
Para efeito de especulação esta-tística podemos assumir que temos a chance de encarnar, em média a cada cem anos. Isso considerando que o ser humano tenha vivido menos anos nas existências dos séculos anteriores e que devemos passar pelo menos o mesmo tempo de encarnado na erraticidade.
A partir dessas premissas chegamos ao número máximo de encarnações nos últimos 10 mil anos do mundo civilizado: 100 vidas. Uma outra informação revelada pelos Espíritos diz que existem mais Espíritos desencarnados do que encarnados. Talvez 3 ou 4 vezes mais.
Bom, isso não é tudo. Teremos de dividir esse potencial de encar-nações por 4, para dar oportunidade a todos. Assim, reduzimos nossas possibilidades de encarnações a 25 nesse período. Estamos nos referindo a uma média potencial, cada caso é um caso.
Tem outra variável que dificulta ainda mais nossa estatística. Temos de considerar também a possível migração de Espíritos entre os mundos existentes nessa imensidão que é o Universo. Como esse cálculo tem de considerar as entradas e saídas de Espíritos no planeta, proponho considerar que as quantidades sejam semelhantes e, assim, podemos manter a nossa projeção numérica, apenas como exercício para o estudo das quantidades de encarnações possíveis.
Então temos a média de 25 encarnações nos últimos 10 mil anos. Alguns puderam ter um pouco mais e outros um pouco menos. Caso forem verdadeiras as informações sobre as vidas de Chico Xavier desde 1490 A.C., chegaremos a 12 encarnações, ou uma encarnação a cada 292 anos. Mantido esse intervalo de anos e estendendo ao período de 10 mil anos, o Chico teria tido cerca de 34 vidas na Terra, número maior que a nossa média de 25.
Certamente há muitas outras variáveis que afetam a decisão ou a possibilidade de encarnar. O assunto realmente é muito complexo. Não encarnamos sozinhos. E as nossas relações com os outros Espíritos que devem ser aproveitadas nas encarnações? Como conciliar tantos interesses e necessidades em um mesmo período de tempo e espaço?
Após todo esse esforço mental, talvez passe pela sua mente, caro leitor, que a encarnação é algo muito próximo da fantasia, distante da realidade! Será? Então pense nas recentes descobertas da ciência que medeiam a fronteira entre o crível e a imaginação fantástica: curvatura do tempo, teoria das cordas, big-bang, multiverso ou multiuniverso, matéria escura, buraco negro, antimatéria, dualidade onda-corpúsculo e muitas outras descobertas e estudos que intrigam nossos cientistas.
A vida material e espiritual oferece infinitas possibilidades voltadas para nossa evolução, criadas por uma mente infinitamente boa e superior. A possibilidade de reencarnar é uma oportunidade imensa de acelerar o aprendizado. Muito disputada, e que temos de buscar o aproveitamento máximo, mesmo sem saber exatamente quantas encarnações tivemos.

Publicado originalmente em: http://www.oconsolador.com.br/ano11/517/ca4.html